sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Saudades

Escrevo em sigilo não por vergonha, mas por opção. Você e seus atos, ainda me deixam confuso. Apesar disso, desde que você se foi, meus dias estão mais vazios.
Minha cama, está maior  que o mar, não que em tempos passados nós fizessemos dela nossa lar. Ela foi uma clareira onde o instinto nos jogou a mercer um do outro.
Me transporto a outro tempo e imagino como seria essa espera, em dias mais remotos...
                                          Parte 1 -  Louco á janela.
...Eu olhava a janela como fazia todos os dias á muitos dias. Pela casa os criados começavam a indagar se estaria eu ficando louco, na janela à dias esperando alguém que ninguém sabia quem poderia ser . Eu falava de amor, mas ninguém tinha posto em meu lar, eu tinha pesadelos à noite, eu chorava e entornava garrafas e mais garrafas de vinho, saia á cavalo todas as noites, às vezes em meio a tempestades horriveis, eu estaria buscando a morte ?
                                       Parte 2 - A chegada.
 - Era um dia como outro qualquer, eu estava olhando a estrada quando uma chuva fina começou a salpicar no jardim, o cheiro de terra molhada aumentava minha angustia, pois a terra muitas vezes foi nosso cobertor...
 - Ao longe ouvi galopes, e o ruído de uma velha carruagem, meu coração palpitava ao mesmo ritmo dos galopes que chegavam cada vez mais perto. A anciedade corria pura em meu sangue, que fervia como agua em uma chaleira.
 - A carruagem entrou em minhas terras eu já podia avistar o velho cocheiro, ao parar em frente a entrada de minha casa um silencio enlouquecedor tomou conta de tudo. A porta da carruagem se abriu e ele desceu deslumbrante. Ele chegou como o sol iluminando tudo o que estava a sua volta, meus olhos estavam molhados e então eu corri para o quarto.

                                             Parte 3 : O reencontro

 - Eu podia ouvir seus passos firmes na escada, em direção ao quarto, minhas pernas tremiam, eu tinha que me preparar, me conter. Ele abriu a porta e me olhou em silencio por alguns instantes, eu corri em sua direção o abracei com todas as minhas forças, mas ele permanecia em silencio, tirei-lhes os sapatos e as meias e o silencio ainda reinava no quarto e em toda a casa, eu me levantei com os olhos baixos e quando virei de costas, senti suas mãos segurarem as minhas, eu sangue ferveu novamente. Ele me puxou pra junto de si, e falou em meu ouvido -  Meu amor! Nesse instante meus olhos se enxeram de lagrimas, ele ás limpou com os dedos e por fim foi na horizontal que tudo aconteceu novamente, minha cama estava completa, eu estava completo...Eu via a saudade indo embora na mesma carruagem que ele havia chegado, e agora o que ocupava seu lugar era a felicidade!

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